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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Fernando Pessoa

Não se subordinar a nada – nem a um homem, nem a um amor, nem a uma idéia, ter aquela independência longínqua que consiste em não crer na verdade, nem, se a houvesse, na utilidade do conhecimento dela – tal é o estado em que, parece-me, deve decorrer, para consigo mesma, a vida íntima intelectual dos que não vivem sem pensar.Pertencer – eis a banalidade.Credo, ideal, mulher ou profissão – tudo isso é a cela e as algemas.Ser é estar livre.A mesma ambição, se nos orgulhamos de que é, é um fardo, não nos orgulharíamos se compreendêssemos que é um cordel pelo qual nos puxam.Não: nem ligações connosco!Livres de nós como dos outros, contemplativos sem êxtase, pensadores sem conclusão, viveremos, libertos de Deus, o pequeno intervalo que a distracção dos algozes concede ao nosso êxtase na parada.Temos amanhã a guilhotina.Se a não tivéssemos amanhã tê-la-íamos depois de amanhã. Passeemos ao sol o repouso antes do fim, ignorantes voluntariamente dos propósitos e dos prosseguimentos.O sol dourará nossas frontes sem rugas e a brisa terá frescura para quem deixar esperar.
Atiro a caneta pela secretária fora e ela rola, regressando, sem que eu a apanhe, pelo declive onde trabalho.Senti tudo de repente.E minha alegria manifesta-se por este gesto da raiva que não sinto.

Fernando Pessoa – Livro do Desassossego

sábado, 29 de março de 2008

2006


Sair da mente, vislumbrar o presente...
Ficar absorto no dia de hoje
Um conhecido morreu do coração
Tinha quarenta e quatro anos
Calçava quarenta e dois
Morava na rua um
Casa duzentos e onze
Provavelmente será sepultado
Num caixão de oitocentos reais, ou mais!!

Vejo todos morrendo e eu vou ficando...
Parece até que sou imortal
Alguém me chamou no trânsito
Ao olhar, quase bati o carro...
Menino me pede esmolas
Será que não chego mais em casa?

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Lembro-me de épocas remotas
Onde a senhora vaidade
Brincavas com as pessoas mortas
E aquilo que era verdade
Só se ouvia de pessoas tortas

Depois segui adiante
Brincava de senhora viva
Em meio a pessoas errantes
Entortando os caminhos da vida
Quis eternizar aqueles instantes

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Como sou filho do meu tempo!
Como posso tentar negar isso?
Posso enlouquecer, posso mesmo chegar à esquizofrenia...
Sou filho do meu tempo.
Sou herdeiro de todos os ideais desta sociedade em que nasci.
Qualquer tentativa de ruptura brusca é loucura
Qualquer tentativa de fuga é covardia
Por que sou filho do meu tempo
Devo algo a esta civilização em que nasci (DESPREZO?!)
Não tenho maturidade para dar um passo tão longo
Em uma única existência...
(Matos Macedo)

Tibet e Cuba


Uma China gigante, anômala, cada vez mais aberta ao capital se sobrepõe a um nanico Tibet, dominado, humilhado, ferido em sua cultura milenar.
Não, nem o Tibet e nem nação alguma tem direito de se isolar e viver como bem entender. É uma regra implícita do capitalismo, aqueles que não entrarem no jogo serão embargados, desprezados e se vacilarem, invadidos.
Vejam o que aconteceu em Cuba: situação diferente, contexto diverso, mas pano de fundo igual.Uma nação procurando outros caminhos, ousando tentar um caminho diferente, algo que realmente viesse ao encontro do anseio de um povo pobre da América Latina.Muitos não puderam aceitar.Parece que ferem aos olhos olhar para o lado e perceber que tem alguém diferente.Ou talvez seja o fato de o diferente não ser um cliente potencial, afinal, qual o interesse que uma bugiganga chinesa causaria a um monge tibetano?
Saindo da geopolítica e vislumbrando o cotidiano em que vivemos, não estamos distantes da mesma regra.Foi-se o tempo dos ermitãos que se isolavam ou dos hipes que procuravam viver a sociedade alternativa.
Todos fazemos parte do mesmo jogo e não existe qualquer possibilidade de fuga.Quando tentamos fugir, nos damos conta que o capital é onipresente e onipotente.Sejam budistas tibetanos ou católicos cubanos, por mais que rezem para deuses diferentes, são castigados pelo mesmo demônio:o capitalismo.
(Macedo Matos)

sábado, 8 de março de 2008

Janelas

Foto: Sebastião Salgado


Pelo buraco na parede, salto na realidade que passa.
Nessa fresta, a luz das cores inunda a curiosidade.
Em frente à janela perdida em sua abertura,
há milhares de outras olhando pra cá.
Que escrevem paisagens alheias como as que são desenhadas daqui.
Corte em qualquer parede, que recorta um universo cortante...
Fere os sentidos, abre chagas na pele da sensibilidade.
Realidades que se sobrepõem incessantemente.
Correnteza de imagens, texturas...
Espetáculo devorando, incompreendido em movimento.
Que por vezes inventa estátuas e sons de sinos pontuais.
Fenda estática que me percorre, e empurra para direções desorientadas.
Buraco na parede que salta em mim, quando não passo.
Absorve traços e tonalidades de tudo
Janela que engole paredes.

Maicon Barbosa

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Lembrança

Preciso de um desejo de resposta

Necessito da vontade de querer

Tenho sede da bebida que não gosto

Peço esmola daquilo que é meu


Sou metade do que sinto

A outra metade... não cabe em meu corpo


Recebi uma carta escrita por mim

A saudade é grande, mas eu não posso estar comigo agora

Retrocedo anos até chegar aqui

Sou antepassado de sobrinhos filhos e netos


A minha biografia é uma peneira

E por mais que eu a escreva... é uma peneira

E por mais que eu a viva... é uma peneira


Sempre erro de conto...

Nunca encontro... a branca de neve

...Rapunzel...

...Lisbela

Sempre erro de conto...


No fim das contas

Fica apenas a lembrança

De uma vida mal passada

Com fritas e cebola.


Por: W. Santos

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Desarmonias musicais

A música – assim como outras artes em suas singulares expressões – suspende o tempo e cria atmosferas de intensidades, cores e texturas afetivas múltiplas. Os ruídos, sonoridades, barulhos – por vezes estranhos, densos, diferentes, alucinógenos, belos – vão tomando de assalto os ambientes de dentro e de fora, arrepiando, emocionando, levando a viagens pelos lugares de nunca e de sempre – de formas alteradas, novas, encantadoras. Essa fala que vai se desdobrando por aqui nada mais é que uma expressão das alegrias fabricadas por essa maravilhosa arte apaixonante. Lágrimas correm, as coisas vão se desmanchando, aglutinando outras visibilidades, surgindo e ressurgindo sempre diferenciadas. Ela, inunda, vibra no corpo, por todas as espacialidades que às vezes são tão rígidas, tristes, impotentes. Maneira de manifestação que se conecta impetuosamente às possibilidades de invenção de vida. As desarmonias, momentos musicais que produzem uma certa estranheza no corpo, instantes de quebra, de fragmentação dos planos harmônicos, plasmam os instantes de passagem, de redirecionamento sonoro, perceptivo, criativo. Essas fendas sempre cheias, que transbordam territorialidades em movimento, fazem surgir afetos acidentais, sempre ligados às casualidades a que essas passagens remetem. Essas desarmonias não seriam contra-harmonias nem estariam fora da harmonia. Parece que elas percorrem o plano harmônico, misturando as diversas melodias dos elementos constitutivos e os timbres que cavam buracos, compondo os movimentos assincrônicos, as temporalidades assimétricas que vão esculpindo caminhos polifônicos. Dissonâncias, desarranjos, alterações rítmico-temporais, combinações de partículas sonoras variáveis, todas essas particularidades “desarmônicas” fazem surgir aclives e declives que transitam as atmosferas expressivas móveis estendidas pelas maneiras de música. As pluralizações da música e dos afectos e perceptos por ela engendrados, vão alagando, se emaranhando, num tumulto de beleza singular, no ouvido-corpo-ondulável. E continuam simulando coisas indizíveis...

Maicon Barbosa

FANTASIAS

Você é um encanto de maravilha;
A música que toca e mim toca;
A linda rosa que ganhei;
A lua cheia que admiro;
O anjo que imagino;
A maravilha do amor.
O teu corpo é de desejo.
Pessoa encantadora para ser
Correspondida no amor
Como Deus a fez:
Simples, sensível, amável, meiga,
Angelical, ardente, quente, serena,
Selvagem, amante, doce, suave,
Passiva, total.


CABRAL, Reinaldo Ferreira.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Divagações de uma manhã de domingo

Da janela de um apartamento em uma grande cidade brasileira, fico a observar as placas publicitárias e as fachadas de casas comerciais e bancos.Estrelas, símbolos, imagens do que seria a vida perfeita.Imagens a serem vendidas, a serem empurradas goela adentro de todos que se atrevem a olhá-las.A publicidade realmente tem evoluído em parceria com tudo do que há mais moderno na psicologia e em todas as tecnologias.Marketing agressivo, as propagandas saem em busca de suas vítimas potenciais como mísseis teleguiados.E nessa busca por clientes, elas acabam também por atravessar bolsos vazios ou consciências estranhas.Consciências que de alguma forma conseguem se manter afastadas do jogo, porém, não imunes a ele.Pois de qualquer forma, é uma tarefa impossível não esbarrar os olhos num anúncio do Bradesco ou tapar os ouvidos para os sussurros dos cartões visa.Há quem diga ser esse tipo de coisa uma arte, e eu não discordo de tal afirmação, afinal, o que não é arte?Não estou aqui para ter ressentimentos por não ter um cartão visa no bolso ou não poder consumir a grande maioria de produtos que me é oferecido diariamente, mas sim para questionar os caminhos que tudo isso tem levado o mundo. O ressentimento, como já dizia o grande Nietzsche, é um merda, e um ponto inicial muito perigoso para qualquer contestação. É uma afirmação de poder do objeto criticado, poder esse que no caso da propaganda, não pode ser de forma alguma desconsiderado ou ignorado.A propaganda tem poder, tem influência, tanto naqueles que se deixam levar na correnteza consumista como naqueles que param para tecer críticas.Ora, estamos todos num mesmo barco chamado terra, embora em diferentes realidades, em diferentes regiões geográficas do planeta,mas no entanto, temos convivido com as mesmas marcas, os mesmos costumes, olhando impávidos o massacre de culturas milenares e assistindo a um processo de aculturação virtual sem precedentes na história mundial.Tudo o mais se tornou secundário, religião, filosofia,ciências.O capitalismo se tornou, por assim dizer, a mãe de todos os pensamentos, englobando praticamente todos os processos interpretativos do ser humano atual.E dentro desse oceano do qual desconhecemos dimensões ou profundidades, tentamos respirar o ar da superfície, se é que isso seja possível. Tentar pensar a nossa época, isso é praticar a criatividade tentando romper as barreiras mercantilistas do mundo atual.


YON

sábado, 26 de janeiro de 2008

Pensamento e algumas contradições


Linearidade argumentativa, coesão, encadeamento lógico, coerência, precisão lingüística, racionalização dos conteúdos; são algumas máximas frequentemente enunciadas e associadas – quase que automaticamente – às maneiras de pensamento. Aqui estamos nós, diante do suposto maior patrimônio da civilização: o “pensamento racional”. Essa perspicaz junção moralizante que nos amordaça, disfarçada de redundância!

Parece que a necessidade de ordenar as coisas se alastra e reformula-se com uma rapidez assombrosa. Desde que as bases da racionalidade começaram a ser lançadas – mais especificamente, porém não unicamente, nos momentos iluministas que não se prendem a uma determinada data ou lugar – a vida humana tem se orientado por valores transcendentes que passaram a direcionar toda a existência, delimitando rigorosamente as espacialidades permissíveis, as intensidades saudáveis, as maneiras corretas, as quantidades desejáveis, as temporalidades adequadas, os produtos eficientes... Os dogmas racionais, infalíveis na missão de modelar imponentes e destemidos seres do conhecimento verdadeiro, incorporam novas revitalizações na contemporaneidade e continuam aliciando multidões de “fiéis céticos”.

A Lógica, com suas diversas aplicabilidades, se transformou – ou provavelmente sempre teve essa função – na grande autoridade que determina quais são os padrões aceitáveis de vida. É como se toda a existência, necessariamente, precisasse ser lógica, racional, planejada e organizada. A busca estafante da Ciência por leis universais dos fenômenos, sejam eles objetivos ou subjetivos, tem produzido explicacionismos que, ilusoriamente, ambicionam demonstrar a verdade de uma coisa ou acontecimento através do estabelecimento de sistemas teoricamente previsíveis e imutáveis, que funcionariam segundo regras específicas.

O repúdio extremado às contradições, em suas muitas possibilidades de manifestação, funciona como uma espécie de concretização dessa normatização do pensamento. É perceptível um certo consenso proibitivo implícito, presentes em diversos ordenamentos humanos, que atua condenando as quebras e desvios nas/das seqüência lógicas discursivas, formais ou não. Se alguém fala de uma coisa de certa forma, parece ficar obrigado a manter aquela mesma idéia por um tempo sem fim, tudo em nome da intocável coerência suprema. É como se, ao emitirmos determinada fala, estivéssemos fazendo uma promessa oculta de não contrariar aquelas palavras futuramente. A aversão àquilo que expressa a diferença e suas pluralizações, ossifica seres hierarquizados, serializados e tristes, que não desejam nada mais que a ordem e o poder.

Esse processo que evita as manifestações não lineares que jorraram e impelem para várias direções, articula-se de forma a impedir a vazão desejante singularizada. Mas os ímpetos criativos, alegres, sempre proliferáveis, podem sim implodir essas atmosferas conformativas que fabricam subjetividades mórbidas, descoladas das potências acíclicas de uma vida não transcendente, e estender outros solos, sempre móveis, onduláveis. O pensamento pode afirmar outras posições para além da cristalização lógico-racional das coesões demasiadas. É possível devir a diferença, reinventar relações, rearranjar temporalidades e criar territorialidades. As atividades-pensamento podem funcionar plasticamente, de maneiras moduláveis, desligado-se dos ideais de forma, de perfeição, das dialéticas sempre cíclicas, e se abrir às efemeridades desejantes fortuitas, acidentais, metamorfoseando-se incessantemente, espalhando/agregando partículas dos mais inimagináveis territórios existenciais.

Maicon Barbosa

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Conversas acadêmicas


O aluno chega todo entusiasmado com algumas idéias que surgiram, persistiram, tomaram espaço, incomodaram-no durante um bom tempo, e resolve expor suas inquietações para o professor, numa conversa particular.
- Professor, eu preciso conversar sobre algumas coisas que andei pensando nesses dias. É sobre o pensamento daquele filósofo, que o senhor vem discutindo nas aulas. Eu concebi os conceitos dele de outra forma. Discordo da sua última afirmação, que coloca esse pensador como um continuador da dialética. Não vi dialética nenhuma ali. Ele pensa numa perspectiva que rompe de vez com a dialética.
- Que bom que você se interessou pelas aulas! Fico feliz em ver que leu os textos realmente. Mas você não compreendeu direito algumas coisas. Ele efetivamente situa-se na tradição dialética. Isso está muito claro. Quase todos os comentadores dele escrevem isso.
- Mas acho que não. Ele não explicita isso de forma alguma. Sem contar com as severas críticas que ele mesmo faz à dialética, e a toda pretensão dialética dentro da filosofia. Acho que os que dizem que ele está na dialética fazem isso com interesses ideológicos bem explícitos.
- Você ainda não entende. Leu pouco. Não pode afirmar que acha isso ou aquilo de um saber assim. Já ficou mais que provado, com base no vasto conhecimento acadêmico, que o pensamento dele é dialético. Você não compreendeu. Não pode dizer isso de uma hora pra outra. Muitos teóricos conhecidos mundialmente já escreveram sobre ele, e você precisa ler todos esses comentadores. As coisas não são tão simples assim. Para se chegar ao conhecimento, é necessário muito tempo. Eu que já conclui o doutorado, e tenho muitos anos de carreira, sei muito bem como funcionam as coisas. Quando nós somos mais novos, inexperientes, achamos que é possível sair por ai fazendo qualquer leitura dos grandes autores. Mas essa empolgação passa, e percebemos que não podemos dizer nada que não tenha sido dito. Apenas mudamos a forma de dizer.
- Mas continuo a discordar do senhor.
- Eu conheço essa fase. Você ainda não tem condições de concluir nada sobre determinados pensadores. É muito difícil compreender de forma precisa os conceitos da maneira que o autor os cria. Isso só é possível depois de muito tempo de academia, depois de um doutorado, uma pós-doutorado, e muitas publicações sobre o seu objeto de estudo. Você ainda é muito novo, tem a vida toda pela frente. Leia mais, pois discordar de toda uma estrutura de saber que já está instituída, é uma atitude muito ingênua, e até impensada. Mas esse é o momento de errar mesmo. Só assim é que se aprende.
- Será que eu não posso pensar de outra forma sobre esse autor nesse momento da minha formação?
- Você já leu a obra dele toda?
- Li quase tudo. E o que eu falei é em relação ao que eu já li.
- E os comentadores de renome?
- Ainda não li.
- Você só pode concluir algo depois que entender os comentários das autoridades nesse assunto. São esses grandes estudiosos que decifram coisas confusas que alguns pensadores escrevem, coisas impossíveis de serem entendida sem eles. Mas esse é o caminho, continue se esforçando que um dia você chega lá.
- E aquela questão que levantei em sala de aula, sobre aquele conceito, que o senhor disse que responderia numa outra ocasião, já que a turma ainda não tinha aquela leitura?
- Acho melhor não discutirmos esse assunto nessa fase da sua formação. Para aprofundar isso, é necessário algumas outras leituras que você ainda não fez. Então fica para um futuro próximo. Mas assim que você estiver em níveis de conhecimento mais avançados, conversaremos sobre esse assunto. Agora não seria muito proveitoso. Eu vou ter que sair. Outro dia conversamos. Até mais!
O aluno sai extremante angustiado com a idéia de que tem que esperar muito tempo ainda para escrever sobre o que pensa daquelas coisas, e de todas as outras. E começa a achar que tudo já foi pensado por alguém, que não lhe resta mais muita coisa pra fazer além de repetir coisas compostas por outros. A criação vai ficando cada vez mais longe de sua realidade. A vivacidade pensante parece reduzir-se à morbidez das cópias eternas. Mas o incômodo inicial parece tomar agora proporções inimagináveis anteriormente. A fala da autoridade, além de censurá-lo, de alguma forma parece ter alimentado um desejo estranho, desejo de liberdade, de inventividade, de se livrar de uma vez por todas dos pesadíssimos fardos do academiscismo. Mas tudo isso ainda em absoluto segredo, já que ele não possue conhecimento suficiente para falar de si mesmo.


Maicon Barbosa