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sábado, 14 de março de 2009

...friezas debaixo do sol


Após um soco no estômago, desferido pelo vigor do acaso, estou num ponto de ônibus, em algum lugar do mundo. Não sei se esse espaço acontece numa data. Acho que é uma data imprecisa, imemoriável. Talvez não, nunca. Observo algumas pessoas que estão por perto; todos sempre se entreolham estranhamente nesses instantes. Não há conhecidos. Os rostos assumem expressões cerradas, com densidades quase insuportáveis. Sinto o frio vindo das faces, sobretudo da minha. Um gelo glacial, meio lívido, que ameaça derreter às vezes. O asfalto ondula sob a dureza do sol que inunda. Carros passam. Outros bichos também. Nada de ônibus. Certamente ele fora abduzido! Olhei e vi coisas que acontecem debaixo do sol. As estátuas de sal também estavam lá, salgando.


Maicon Barbosa

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Você representa para mim
Tudo de pior que o moralismo idiota conseguiu fazer com as pessoas até hoje
Você para mim é o pináculo de anos e anos de repressão do riso
E o seu olhar inquiridor nada mais é que uma inveja implícita
De não ter coragem suficiente para viver a vida da forma que eu vivo
Sem preocupar-me com opiniões alheias
Você vai se arrepender amargamente por esta sua vida medíocre e previsível
Você vai tentar em vão buscar as noites de sexta e sábado perdidas na frente de uma televisão
Mas não vai encontrá-las simplesmente por que elas perderam-se no tempo
A sua vida perdeu-se no tempo
Enquanto você parava para me criticar
Enquanto você parava para me reclamar e dizer o quanto eu estava errado
É uma pena que minha felicidade incomoda-te tanto
Você poderia participar dela
Ao invés de ficar na beira da estrada vendo a vida passar
Você se protege da tristeza
Esquivando-se da felicidade
Que troca mais macabra
Nada por nada
Você é o sucesso de todos os padres e pastores do mundo
Dessas pessoas que se dizem conhecedoras de deus
Com você elas conseguiram os seus objetivos
Que é assustar as pessoas
Você se diz “temente a deus”
É uma pena que você pense assim
Você teme deus e teme a vida e teme a morte
Mas por favor
Não faça da sua covardia a minha tristeza
Pegue toda tralha de textos e escrituras que você trás na cabeça
E vai ser triste bem longe de mim
Por que a minha vida é a minha vida
Você não tem o direito de estragá-la
Com o que você acha que é certo ou errado
Permita-me andar com minhas próprias pernas
Saia do meu caminho agora
Por favor ...

YON

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Inflamagens


Pressentimentos estranhos me tomaram naquele dia. Não os compreendia muito bem, mas eles pulsavam alegremente em mim com variações que me desorientavam totalmente. A tarde era quente. Eu estava sentado sozinho, um pouco distante da entrada. Era como se estivesse esperando que alguma coisa muito importante acontecesse, apesar de não ter nenhum compromisso marcado para aquele instante. Pessoas circulavam por entre a música que inundava o lugar. Uma música extremamente agradável e baixa.


Estava mergulhado num quadro em minha frente quando ela – decidida e tímida – rompeu o limiar entre o dentro e o fora. O seu olhar sereno, terrível, saltou em mim, mas, numa fração de segundo, desviou-se. Lançou-se ao chão com ímpeto. Aos poucos foi percorrendo o assoalho que se estendia risonhamente. Levantou-se com uma lentidão lasciva, e contemplou com solenidade o espaço. Agora ela deslizava suavemente, encantadoramente. Sentou não muito perto. Desde a sua chegada, eu não conseguia parar de fitá-la.


O universo inteiro se condensou naquela paisagem feminina, que me arrastava silenciosamente. O seu delicado rosto aveludado moveu quase que imperceptivelmente. Ela me cumprimentara. Retribui o seu generoso gesto com muito cuidado, pois não queria demonstrar a imensa felicidade que agora irradiava por todo o meu corpo. Mas eu sabia que ela havia percebido tudo. Durante aqueles eternos instantes que se sucederam, uma vigorosa dança instalou-se entre nós. Os olhos dela e os meus passeavam por todos os elementos daquele espaço, mas desejavam se encontrar com todas as forças. E o faziam freqüentemente, com uma grande intensidade e rapidez. Isso já era suficiente para que ambos se sentissem plenos e cheios de vida.


Maicon Barbosa

sábado, 24 de janeiro de 2009

Atropelos


A cidade me atropela. Tira-me o fôlego. Faz explodir milhares de tremores, indecifráveis, sísmicos, velozes. O que se passa no corpo seria completamente indizível, se não existisse uma certa habilidade para simular os acontecimentos, para produzir outros. Azáfama. Matilhas ladram. Ladrões. A cidade nos engole com sua multiplicidade, e descer por essa garganta vivaz não é nada confortável. Nada de turismos asséptico
s. O que irrompe aqui é a transmutação do viajante em nativo. Transmutação sempre temporária. Tornar-se um daqueles/esses. Virar o lugar. Ser absolvido pelas pulsações do lugar. Não basta olhar a paisagem de longe, por detrás de vidros homeostáticos. A cidade alheia e arredia, por vezes se coloca de tal maneira no corpo, que compreendemos muito bem, nesses momentos, a vida de um vidente. Ver o além. O além dos além. Não um além transcendente, cujos pés nunca tocaram o solo, e nunca tropeçaram numa poça de lama. Trata-se de um além estético, que pulula nas experiências artísticas e estilísticas do corpo. Ser vidente. Isso não é fácil ou tranqüilo. Sentir os universos insignificáveis que se deslocam nos movimentos cotidianos da urbe. Estranhamento. Isso ativa o corpo, fragmenta vitrificações e congelamentos mortificantes. Continuo sem ar. Respiro tudo agora. Não me contento apenas com o oxigênio. Quero as poluições; todas elas. O suor respira tudo. O delírio. Gente passa, anda, corre, morde, pula, cheira, e olha prá cá. Uma multidão irreconhecível me povoa. A lente da câmera sanguínea salta de repente. O que há agora é um olho/corpo onipresente. Onipresença desse presente, a única vivível. Sinto tudo. A vida gira e despedaça as calmarias. Gritei há alguns minutos. Gritos desesperados. Não sei se ouviram, mas os urros foram altos, estridentes. Vibraram por todos os poros. Continuam vibrando. Os poros se dilatam. Absorvem os climas. O lugar fala em mim. Ele é quem escreve esses emaranhados. Ele é desordenado. Anda, subvertendo. O enxame de línguas estranhas segue mordendo, arrancando pedaços. Só há dentes no corpo. Dentes das línguas estranhas e animalescas.

Maicon Barbosa

domingo, 11 de janeiro de 2009

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Decidi abandonar todas as ilusões que eu ainda tinha
Quanto a esse amor, quanto a nois dois
Decidi parar de sofrer e de alimentar esse câncer
Que há algum tempo me devora
Essa saudade louca que eu tenho de tudo que vivemos
Decidi ignorá-la
A ilusão que eu tinha da sua pessoa
Decidi que não vale mais a pena cultivar
A pessoa que eu quero só existe nos meus sonhos
A paixão que eu imagino nunca existiu tal como a vejo hoje
Tudo é pontencializado
Pela saudade que eu sinto e que decidi
Abandonar para sempre...

Yon

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Uma tarde-noite-madrugada-quase-amanhecer do fim de algum ano.


Alguns instantes são eternizáveis! É isso que pulsa nesse momento, nesse esboço de alguma coisa, de sei-lá-o-quê. Encontros acidentais. A amizade é – em certa medida – um universo de acidentes, colisões inesperadas, às vezes até premunidas, que colore insistentemente a vida. Os elementos dessa atmosfera fortuita misturam-se numa profusão indecifrável. Radiohead, bebidas fermentadas, Nação Zumbi, biscoitos sabor churrasco, conversas sobre política, Led Zeppelin, petiscos penosamente assados, José Saramago, “forasteiros” daqui, prosas sobre filosofia, Chico Buarque, devaneios em relação à vida sentimental, estridentes gargalhadas, balbucios sobre cinema, nostalgias diversas... E isso ainda não é tudo. Gaguejos sobre a morte, Kafka, narrativas sobre os ossos e ócios do ofício, o desejo de ler Jack Kerouac, piadas nordestinas, (por vezes a massa sonora entupia os ouvidos) Virginia Woolf, festas passadas e futuras, Afonso Manta, divagações sobre amigos ausentes. Ainda não é tudo... mas não é necessário estender demasiadamente a lista. Todas essas coisas estavam no encontro, naquele acontecimento de uma tarde-noite-madrugada-quase-amanhecer do fim de algum ano. Ou será começo? Prossigamos. Amigos se encontrando casualmente: haveria outra feracidade como essa na vida? Parece que as melhores comemorações são as que não têm motivo algum! (Talvez continue...)


Maicon Barbosa

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Extratos de incertas conversações virtuais... .. .

Brincadeira 0,,


- Mas o que é isso? Não estou entendendo nada.

- Sei lá! Qualquer coisa. O que você quiser que seja.

- Mas por quê?

- Não tem porquês. Quer por. As explicações não andam por essas terras alagadiças.

- Mas assim ninguém vai saber do que é que você fala.

- (Risos, gargalhadas, estardalhaço...) Pra quê alguém iria querer saber?


Maicon Barbosa

Extratos de incertas conversações virtuais... .. .

Brincadeira 0,


Algumas pessoas sempre criam a alegria em nós...

Alguns encontros sempre são mágicos...

O desejo pelo encontro...

O encontro com o desejo...

Essas coisas atravessam a vida impetuosamente

Fazem-na pulsar com intensidade

Querer a vida! Mergulho numa queda infinita.

Cair suavemente em outros lugares

Perder o fôlego sem se dar conta.

Misturar-se ao ar rarefeito dos pulmões...


Maicon Barbosa

Extratos de incertas conversações virtuais... .. .

Brincadeira 0


Poeta? (risos)...

Adoro o seu senso de humor! Ele é muito sensível...

Aliás, a sensibilidade é extremamente necessária

nessas nossas conversas virtuais/reais.


Gosto de brincar com as palavras.

E como em toda brincadeira, esse gosto é sempre um risco.

A brincadeira colore as coisas, as relações, os afetos, a vida...

Essas coisas também são arriscadas!

Mas o que seria de nós sem o risco?


Maicon Barbosa

sábado, 29 de novembro de 2008

viagem louca

Uma dose de montila limão
E o mundo não é mais o mesmo
excitação brota de um coração atônito
arritimia, disrritimia, alergia, orgia!!


E trinta e seis graus de teor alcoolico
Percorrem loucamente as artérias
Sem limites de velocidade
O cérebro é o centro dessa cidade
Vai bater, vai matar, vai atropelar
Vai escancará!


YON