Maicon Barbosa
domingo, 28 de junho de 2009
sons e contorções
Maicon Barbosa
segunda-feira, 22 de junho de 2009
afazeres cotidianos
Maicon Barbosa
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Fragmentos de férias
Fico desperto enquanto o mundo dorme.
E eu hoje fiz outra besteira imensa:
Não pensei nada do que o vulgo pensa.”
(Besteira, Affonso Manta)
E quem sabe
Em algum destes versos
Em alguma destas palavras
Eu deixe escapar um pouco de mim?
Mais uma vez estou indo embora
E como é afeito a todas estas horas
Uma estranha melancolia ganha o peito
Situação essa, que me deixa meio sem jeito
Mas em outros momentos, algo normal...
Ir embora e voltar, sentimento virtual.
Diante das impossibilidades
Tive nuanças
Frente aos desafios
Desejei mudanças
Dos bons e maus momentos
Levarei lembranças.
Minha terra, minha cidade mística!
Toda sua mitologia, é a minha geografia
Toda sua religião, é a minha escuridão
As montanhas emocionais
Vejo-as ficando para trás
Vales de solidão
Não ganham mais o meu coração
Sentirei saudades outra vez?
Do teu córrego poluído
Dos teus anjos (e anjas) caídos?
Da tua Br 116...?
Talvez, em alguma destas palavras
Eu não tenha conseguido esconder
Os poucos dias de vida louca, intensa vida
Da qual tentei aqui viver
Agora vou ganhando meu cerrado
Assim vou esquecendo o meu passado
Agora caí a noite que um dia foi dia
Assim, vou deixando a tristeza e encontrando a alegria ...
Yon Macedo
Poções, Madrugada de 18/06/2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
... a feminina
Maicon Barbosa
sábado, 6 de junho de 2009
PLATONICAMENTE
O meu amor por você
É uma loucura
Que não cabe
Nem mesmo
Na minha cabeça
Mas eu gosto de vivê-la
Platonicamente ...
Te vejo com outro
Mas aqui dentro, és minha
Danças com outro
Mas aqui dentro, comigo
Diabos!!
Estas aqui ou algures?
Yon, Platonicamente, Macedo ...
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Pirroenaicos


Acordo de madrugada, vindo de pesadelos surreais, freudianos, terríveis. Como se a minha vida estivesse sendo passada a limpo no meu inconsciente perdido. Como se todas as noites, eu marcasse um encontro com tudo que deixei pendente, para resolver amanhã, no ano que vem, ou na próxima encarnação.
Se eu ao menos tivesse a pedra filosofal dos pensamentos, o fogo da consciência que transforma toda distração em atenção.
Mas eu não tenho nada disso. Na minha cabeceira encontra-se o desespero humano de Kierkegaard. Na minha cabeça, o meu próprio desespero, por saber que a vida não vai a lugar algum e que todos os ídolos são apenas pedras. Pela sensação de que eu acabo juntamente com os segundos do meu relógio, que o tempo é um demônio malvado chamado morte, que consome as minhas células e escarnece da minha esperança.
Parei em um lugar qualquer da história antiga. Numa dessas escolas de mistérios que tanto encontravam-se no oriente. Acho que era um mosteiro essênio. Em sonho, fui recebido pelos seus membros, que me disseram estar ali o homem que comandaria a ideologia maior do mundo. Não quis conhecê-lo, para não cair na tentação de assassiná-lo. Mas vivo desejando coisas que há tanto se passaram, talvez por temer o que se passa agora. Não acredito em nada. Não confio em ninguém. E também não vou ao cinema.
O fundador do ceticismo foi Pirro. Ele não deixou nenhum escrito, mas legou-nos essa filosofia dos honestos, da qual Agostinho combateu com veemência. Isso foi há muito tempo, mas ainda hoje na minha cabeça, nos meus sonhos, Pirro e Agostinho continuam seus debates infernais. Por não terem se encontrado em vida , pessoalmente, eles marcam sínodos nos meus sonhos. E o que eu posso fazer é assisti-los estupefato.
Yon Macedo
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Nord-est-in-os: meninos cosmopolitas

Alguns meninos do nordeste querem a vida! Não são moralistas que pregam uma pureza da cultura. Para eles nunca houve uma cultura pura no nordeste. Pensam que esse lugar de terra seca sempre foi híbrido, misturado, miscigenado... Sotaques se embaralham nessa grande mestiçagem. Eles viram o acordeom europeu ganhar novas gingas, e o for all forrobodó ensaiar os passos no chão batido das casas de pau-a-pique. Outros ritmos, outras cores se costuraram. Esses meninos desejam o excesso, em excesso... Eles não vêem problema algum em misturar as línguas, os sons, os cheiros, os saberes e sabores. Rabecas com samplers, sanfonas com guitarras futuristas, alfaias com pianos enlouquecidos. Eles não caem na armadilha do purismo/puritanismo. Gostam de pandeiros, triângulos, orquestras sinfônicas, jazz de várias cores, distorções pesadíssimas, cavaquinhos, berimbaus... Literatura de cordel e Dostoiévski estão em suas estantes oscilantes de vara. Eles não têm problemas com estrangeirismos. Nasceram num lugar estrangeiro, inventado, arredio, mutante. Gostam de rapadura, fricassé, macaxeira assada, vinhos... Gostam de feijão com arroz e carne de sol, bebidas fermentadas, fubuias, e outras cositas más. Eles não desejam uma coisa só! Cresceram aprendendo ISSO com a vida. Eles passeiam pelas feiras-mundo nordestinas. Viram muitas coisas nessas andanças de menino. Têm “fome de tudo” e não temem as emboladas. São gourmets sofisticados, bruxos de caldeirões furados, que vazam por todos os lados sem apagar o fogo de lenha elétrica... Eles viram a dor, o chicote, o sangue e a morte também. Viram gente girando a moenda e acorrentada pelo pescoço feito bicho. Às vezes esses meninos sentem medos, choram, gritam, batem o queixo e se desesperam... São os outros tons da vida, eles não os desprezam.
Maicon Barbosa
sábado, 14 de março de 2009
...friezas debaixo do sol
Após um soco no estômago, desferido pelo vigor do acaso, estou num ponto de ônibus, em algum lugar do mundo. Não sei se esse espaço acontece numa data. Acho que é uma data imprecisa, imemoriável. Talvez não, nunca. Observo algumas pessoas que estão por perto; todos sempre se entreolham estranhamente nesses instantes. Não há conhecidos. Os rostos assumem expressões cerradas, com densidades quase insuportáveis. Sinto o frio vindo das faces, sobretudo da minha. Um gelo glacial, meio lívido, que ameaça derreter às vezes. O asfalto ondula sob a dureza do sol que inunda. Carros passam. Outros bichos também. Nada de ônibus. Certamente ele fora abduzido! Olhei e vi coisas que acontecem debaixo do sol. As estátuas de sal também estavam lá, salgando.
Maicon Barbosa
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Tudo de pior que o moralismo idiota conseguiu fazer com as pessoas até hoje
Você para mim é o pináculo de anos e anos de repressão do riso
E o seu olhar inquiridor nada mais é que uma inveja implícita
De não ter coragem suficiente para viver a vida da forma que eu vivo
Sem preocupar-me com opiniões alheias
Você vai se arrepender amargamente por esta sua vida medíocre e previsível
Você vai tentar em vão buscar as noites de sexta e sábado perdidas na frente de uma televisão
Mas não vai encontrá-las simplesmente por que elas perderam-se no tempo
A sua vida perdeu-se no tempo
Enquanto você parava para me criticar
Enquanto você parava para me reclamar e dizer o quanto eu estava errado
É uma pena que minha felicidade incomoda-te tanto
Você poderia participar dela
Ao invés de ficar na beira da estrada vendo a vida passar
Você se protege da tristeza
Esquivando-se da felicidade
Que troca mais macabra
Nada por nada
Você é o sucesso de todos os padres e pastores do mundo
Dessas pessoas que se dizem conhecedoras de deus
Com você elas conseguiram os seus objetivos
Que é assustar as pessoas
Você se diz “temente a deus”
É uma pena que você pense assim
Você teme deus e teme a vida e teme a morte
Mas por favor
Não faça da sua covardia a minha tristeza
Pegue toda tralha de textos e escrituras que você trás na cabeça
E vai ser triste bem longe de mim
Por que a minha vida é a minha vida
Você não tem o direito de estragá-la
Com o que você acha que é certo ou errado
Permita-me andar com minhas próprias pernas
Saia do meu caminho agora
Por favor ...
YON
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Inflamagens
Pressentimentos estranhos me tomaram naquele dia. Não os compreendia muito bem, mas eles pulsavam alegremente em mim com variações que me desorientavam totalmente. A tarde era quente. Eu estava sentado sozinho, um pouco distante da entrada. Era como se estivesse esperando que alguma coisa muito importante acontecesse, apesar de não ter nenhum compromisso marcado para aquele instante. Pessoas circulavam por entre a música que inundava o lugar. Uma música extremamente agradável e baixa.
Estava mergulhado num quadro em minha frente quando ela – decidida e tímida – rompeu o limiar entre o dentro e o fora. O seu olhar sereno, terrível, saltou em mim, mas, numa fração de segundo, desviou-se. Lançou-se ao chão com ímpeto. Aos poucos foi percorrendo o assoalho que se estendia risonhamente. Levantou-se com uma lentidão lasciva, e contemplou com solenidade o espaço. Agora ela deslizava suavemente, encantadoramente. Sentou não muito perto. Desde a sua chegada, eu não conseguia parar de fitá-la.
O universo inteiro se condensou naquela paisagem feminina, que me arrastava silenciosamente. O seu delicado rosto aveludado moveu quase que imperceptivelmente. Ela me cumprimentara. Retribui o seu generoso gesto com muito cuidado, pois não queria demonstrar a imensa felicidade que agora irradiava por todo o meu corpo. Mas eu sabia que ela havia percebido tudo. Durante aqueles eternos instantes que se sucederam, uma vigorosa dança instalou-se entre nós. Os olhos dela e os meus passeavam por todos os elementos daquele espaço, mas desejavam se encontrar com todas as forças. E o faziam freqüentemente, com uma grande intensidade e rapidez. Isso já era suficiente para que ambos se sentissem plenos e cheios de vida.
Maicon Barbosa